Há tempos o lixo é como uma pedra no sapato do Município, que gera ao orçamento de Ubatuba um gasto de até R$ 16 milhões ao ano*

Por Janaína Pedroso

Gilda Godoy tem 56 anos, muitos deles dedicados a contribuir com a comunidade. No centro do bairro mais carente da cidade – a poucos metros da estação de transbordo da Prefeitura de Ubatuba –, a sorridente técnica de nutrição me recebe com alegria. Apesar da muleta e da dor nos joelhos, ela percorre e apresenta cada um dos espaços que compõem o lugar e conta sobre a importância das parcerias realizadas com algumas marinas e empresários da região do Saco da Ribeira.

No terreno, cercado por montanhas sinuosas de uma Mata Atlântica imponente, além da pequena mesa de separação dos materiais recicláveis, há também duas máquinas de prensa (único ambiente coberto e que corre risco de desabamento).
O maquinário doado em 2015 pela Prefeitura é capaz de fazer blocos que podem chegar a 300 kg de papel prensado.
A prensa também serve para unir materiais plásticos, isopor e papelão. “Estamos na luta por uma cobertura. Chove muito.
Os materiais acabam estragando e além do mais o telhado pode desabar a qualquer momento”
, explica Gilda, apontando para a parte da cobertura visivelmente comprometida.

Subindo degraus improvisados de terra, ela me conta como tem sido os anos de luta. “Era muito pior. Falta muita coisa, mas antes era tudo mais difícil”, explica. Atualmente, com o apoio da Prefeitura, que cede mais um caminhão ao movimento, empresários, marinas e condomínios, Gilda espera finalmente realizar o sonho de transformar o “resto” do coco em fibra e substrato. Dessa forma, ser utilizado no processo de fabricação de inúmeros objetos, entre eles colchões, palmilhas, estofados de veículos, entre outros.

As fibras do coco verde ainda podem ser utilizadas na fabricação de xaxim e peças de artesanato. Além disso, em forma de substrato, o resto do fruto se torna um poderoso complemento para a proteção do solo na Agricultura. Além do peso extra, e, portanto, gasto extra que o coco gera ao ser depositado junto ao lixo orgânico, o descarte do fruto desta maneira ainda é um risco à saúde, a medida em que a água da chuva fica depositada dentro do coco e torna o ambiente ideal para a proliferação do mosquito da dengue.

Sobre a associação, Gilda explica que está com os dias contados.“Estamos trabalhando e organizando o processo de mudança para o sistema de cooperativa. Hoje somos em onze pessoas, mas meu sonho é poder dar um emprego e uma vida digna a muito mais gente”, idealiza.