A bordo de hidronave com fundo transparente, turista é levado a observar os animais marinhos em seu habitat

Por Regina Teixeira

Uma novidade do Instituto Argonauta já pode ser considerada uma das principais atrações deste verão. É o Nautilus, hidronave que leva o turista para uma viagem impressionante. Todo mundo, de qualquer idade, pode conhecer o fundo do mar, sem se molhar.

A embarcação, que de longe se destaca por seu estilo futurista, também é inovadora por dentro. A cabine possui escotilhas que lembram um submarino e a enorme lente no fundo aumenta essa sensação. Olhando para baixo, parece que estamos submersos.

O barco, de origem russa, foi projetado para o turismo de observação, modalidade que vem ganhando adeptos no mundo inteiro e merece destaque por contribuir com a preservação ambiental.

Há apenas duas embarcações dessas no Brasil. Uma opera em Fernando de Noronha e a outra é o Nautilus, que fica no Saco da Ribeira. De lá, faz em média quatro saídas por dia para a Ilha Anchieta, com 30 passageiros no máximo. O tempo de deslocamento é rápido, pois o barco possui flutuadores que aceleram a locomoção. Ao chegar no destino, a velocidade diminui e a bolha penetra na água, para começar a observação. A saída é acompanhada por um oceanógrafo ou biólogo, que relata o que as pessoas estão vendo. Durante uma hora e meia, o fascinante universo subaquático revela-se aos visitantes, que aprendem muito sobre os oceanos, confortavelmente sentados ao redor do grande visor.

Segundo o oceanógrafo e presidente do Instituto Argonauta, Hugo Gallo, os passeios, de cunho educativo, científico e ambiental, visam mostrar o valor de uma área protegida. Não fosse o chamado polígono de interdição de pesca, que, se não inibe 100%, ao menos coíbe essa atividade, incluindo a caça submarina, a Ilha Anchieta não teria conservado a sua biodiversidade. Ele cita como exemplo a Ilha das Couves e Vitória, esta última pertencente a São Sebastião, onde, 30 anos atrás, havia uma fauna aquática bem diversa. “As nossas saídas de mergulho eram para esses lugares, onde hoje já não se vê a mesma biodiversidade”.

Salvaguardado pelo decreto de lei 9.629, de março de 1977, o Parque Estadual Ilha Anchieta é um santuário. “Serve como guardião da biodiversidade e fornecedor de genes para povoamento de outras áreas”, observa Hugo.

Não é a primeira vez que o Nautilus faz saídas educativas. Seu antigo proprietário, um italiano apaixonado por Búzios, já apostava no conhecimento para despertar a conscientização ambiental.

Ao que tudo indica, o Nautilus continuará firme nessa missão. Depois do verão, a ideia é trazer os estudantes. A operação turística da temporada de certa forma estará custeando a vinda de alunos de escolas públicas.
A gente vai aproximar as pessoas da natureza com uma estratégia de visualização que permite a qualquer um, seja criança, idoso ou portador de necessidades especiais, vislumbrar o fundo do mar”, garante.

O Instituto Argonauta é uma Organização da Sociedade Civil de Interesse Público (OSCIP), que opera um Centro de Reabilitação de Animais Marinhos, entre outros projetos. Atua desde 1998 no litoral norte paulista. O investimento no turismo de observação é uma forma de diversificar suas atividades, ampliando os meios de obtenção de recursos para dar continuidade aos trabalhos de resgate, reabilitação e reintrodução dos indivíduos; pesquisa e educação ambiental.

Serviço

Preço: R$ 150,00

Horários: Saídas às 10h e às 14h

Reservas: (12) 99755-1850

Instituto Argonauta

Rua Plínio França, 34

Saco da Ribeira – Ubatuba-SP